Vamos falar português?
- Alvaro Bodas
- 15 de mai. de 2017
- 2 min de leitura

É normal que muitos dos termos que a gente use no dia a dia nas empresas sejam estrangeiros, em sua maioria palavras em inglês. Afinal, é dos EUA que vêm as principais correntes, tendências e novidades do mundo da administração, dos negócios, do marketing e da tecnologia, entre outras áreas. Além disso, no Brasil há inúmeras multinacionais, que acabam mantendo aqui sua cultura organizacional e suas nomenclaturas para cargos e setores.
Entretanto, como em tudo na vida, o bom senso e o equilíbrio deveriam prevalecer. Termos como “briefing”, “layout” e “brainstorming” já se incorporaram bem ao nosso vocabulário e dificilmente teriam uma boa tradução para nosso idioma. Já em Portugal, nossos patrícios têm o costume de traduzir tudo para a língua local e ao pé da letra, o que é um exagero. Chamar o mouse de “rato” soa meio estranho.
Por aqui, acabamos caindo no extremo oposto. Incorporamos palavras e expressões guiados por modismos, e muitas vezes inventamos termos que não existem ou não fazem sentido. Às vezes, apenas para dar uma “empolada” e fazer alguma coisa parecer mais importante. Seria muito mais simples, racional e prático usar a boa e velha língua mãe para nos comunicar. Parodiando a Bela Gil, “Você pode substituir aquele termo em inglês por um em português, por exemplo”. Vamos a alguns casos (ou “cases”, se você preferir):
Startar – Do inglês “start” (começar, iniciar). A mania de pegar um verbo em inglês e acrescentar o infinitivo em português é um crime com os dois idiomas!
Schedular – Outra aberração como o caso acima. Quando foi que paramos de agendar e começamos a “schedular”?
Aplicar para uma vaga – Essa os recrutadores adoram! Vem do inglês “apply”. Qual o problema em dizer “candidatar-se”?
Empoderar – Palavra inventada a partir de “empowerment”, que significa delegar poderes de decisão, dar autonomia e participação aos funcionários na administração das empresas. Mas o termo virou uma mania que extrapolou o mundo empresarial e todo mundo está falando isso por aí, aleatoriamente. Todo mundo agora quer se “empoderar”.
Eventualmente – Já vi revistas e sites conceituados traduzirem “eventually” como eventualmente. Eventually, no inglês, significa “finalmente”, “ao final de”. E já ouvi gente usando eventualmente com esse sentido! Eventualmente em português sempre foi “ocasional”, “incerto”, e continua sendo, ok?
Business Plan - É difícil falar “plano de negócios”?
Feedback – Você pode substituir por “retorno”, por exemplo.
ASAP – Essa irrita. Abreviação de “as soon as possible”. Ou seja, “o quanto antes”, “o mais rápido possível”, ou em português claro: “é pra ontem”!
Outsourcing – Por que não dizer “terceirização”?
Team Building – Você tem “espírito de equipe”? Então...
Insight – Também conhecido como “uma boa ideia”.
Eu ia dar mais exemplos, mas acabou de surgir um “job” aqui.
Em tempo: este artigo do Valor tem tudo a ver com o assunto: http://migre.me/wCU6c




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